Setembro Amarelo: campanha de prevenção do suicídio mobiliza profissionais de saúde na Bahia

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que a cada 45 minutos uma pessoa comete suicídio no Brasil e, a cada ano, 800 mil pessoas no mundo. Os mesmos dados ainda afirmam que o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos. 

Em um esforço para mudar esses números, a OMS definiu que a data de 10 de setembro é o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio. Há 5 anos a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria como  Conselho Federal de Medicina (CFM), promove a campanha nacional Setembro Amarelo, quando ações em diferentes esferas sociais buscam promover a saúde mental.

Atenta aos cuidados da saúde mental dos pacientes, a Clion, clínica que oferece um tratamento multidisciplinar do câncer, criou o grupo terapêutico Florescer, cujo objetivo principal é promover mecanismos para aliviar o sofrimento emocional dos pacientes oncológicos, através da troca de experiências e palestras. “Realizamos encontros mensais para pacientes e familiares e oferecemos um suporte cada vez mais completo e humanizado. No mês de setembro, faremos uma palestra sobre prevenção ao suicídio e alterações emocionais no paciente oncológico”, explica a psicóloga Mariana Cordeiro.

A psicóloga destaca o caráter multifatorial do problema, esclarecendo a ideia de que o câncer pode ser encarado como um fator de risco para o suicídio. “As pessoas sempre perguntam: o câncer em si pode incentivar alguém a tirar a própria vida? Não necessariamente. Se o câncer faz parte de um contexto de alguém que tem dificuldade de lidar com os desafios do cotidiano, a doença, aliada a outros problemas que a pessoa já enfrenta, pode se tornar um fator de risco”, pontuou.

A campanha Setembro Amarelo é uma forma de prevenção do problema ao incentivar mais espaços de fala. Para a psicóloga, questionar alguém sobre a ideia de tirar a própria vida, fazendo-o de modo sensato e franco, fortalece o vínculo com a pessoa, que passa a se sentir acolhida. “Sempre que acontece uma tentativa de suicídio, devemos encarar como um pedido de ajuda de alguém que está passando por um sofrimento emocional muito intenso”, orienta.

Mariana ainda reforça a importância de familiares e amigos se aproximarem de pessoas com potencial de cometer suicídio de maneira interessada, praticando a escuta empática, sem julgamentos, comparações ou soluções rápidas, para diminuir o sofrimento emocional e reforçar o desejo de viver dessa pessoa.